Vem conhecer a equipa que desenvolveu o Student!

Preparámos uma série de entrevistas sobre a equipa por detrás do Student. Nesta primeira edição, ficamos a conhecer Areo Saffarzadeh.

 

Quem é Areo Saffarzadeh?
Sou um estudante de medicina da Escola de Medicina de Irvine, Universidade da Califórnia. Como estudante da primeira escola de medicina a ter iPads como material, trabalhei juntamente com outros estudantes e com a faculdade para desenvolver e melhorar a iniciativa iMedEd, focada em incorporar tecnologia de ponta na educação. Adoro este tipo de trabalho. Mais importante que isso, interesso-me bastante pelo encontro entre a tecnologia e a educação, incluindo a aprendizagem online, aplicações iOS para o ensino da medicina e pelas melhorias tecnológicas da aprendizagem à distância. Além de medicina, estou atualmente a tirar um mestrado focado especificamente na educação multimédia, com disciplinas relacionadas com projeto instrucional baseado em estudos comprovados e nas novas tecnologias instrucionais

 

Qual foi a tua contribuição para o projeto Student?

Tenho estado a trabalhar no projeto Student com a nova equipa da ALERT desde o início. Enquanto estudante de medicina com conhecimentos em tecnologia educacional, o meu papel neste projeto tem sido o de engenheiro instrucional. Tenho trabalhado em conjunto com o gestor de projeto para criar uma visão de curto e longo prazo sobre o que o ALERT® Student deveria ser e também assegurar a sua utilidade e facilidade de uso. Através de uma abordagem baseada em estudos comprovados e centrada na tecnologia, apresentamos um produto capaz de mudar o mundo e ajudar os estudantes de medicina do primeiro ao último dia.

 

Qual a tua impressão sobre este projeto?

Vejo este projeto como um meio de trazer o ensino da medicina para o século XXI. Criámos a primeira sebenta interativa colaborativa online do mundo. Isto não é nenhum "Google docs". Além de permitir que os estudantes de medicina criem sebentas multimédia partilháveis, permite também incorporar, nas sebentas, questionários que registam análises detalhadas sobre o progresso do estudo. 

O tempo despendido por cada secção da sebenta, assim como o desempenho nos questionários, são armazenados naquilo que eu gosto de chamar de "Portfolio de Aprendizagem do Student". E conforme vamos desenvolvendo o produto, vamos simplificando-o para que o estudante possa ver o seu portfolio a qualquer momento e possa apenas focar-se nas suas fraquezas. Estudos realizados comprovam maiores ganhos no desenvolvimento quando a abordagem ao estudo é mais direcionada e deliberada.

Estas sebentas interativas podem ser criadas autonomamente ou em grupos, e partilhadas com todos os colegas de turma. Incluímos alguns dos componentes mais importantes das redes sociais para facilitar a colaboração e ligação educacional.

 

Com base no que sabes sobre os estudantes portugueses, quais são para ti as maiores diferenças entre estudar em Portugal e nos EUA?

Independentemente do país onde estás, no final do curso de medicina terminamos com cerca de 75 a 80% do mesmo conhecimento. Todos os estudantes de medicina têm de aprender anatomia, farmacologia e patologia. Não é de estranhar que muitas vezes até usamos os mesmos manuais, daí resultando uma justaposição do estudo. Existe obviamente um currículo específico à localização geográfica e diferenças na abordagem que o médico "português vs. americano" fará ao paciente para chegar ao diagnóstico e ao tratamento. Mas no entanto, ao fim e ao cabo, todos temos de chegar do ponto A ao ponto B, o ponto A sendo o estudante de medicina a começar e o ponto B sendo o médico com as competências necessárias para tratar um doente adequadamente. O nosso objetivo é que o ALERT® Student se torne uma bicicleta mental, que leve os estudantes de A a B de forma eficiente e permita uma utilização mais eficaz do tempo disponível. 

 

Como estará o ensino daqui a dez anos?

É uma pergunta difícil. Em vez de especular, vamos falar de alguns dos problemas atuais e naquilo que eu espero encontrar no futuro.

Pelos EUA fora, os estudantes universitários já demonstraram o desagrado pelo número excessivo de horas de aulas teóricas, preenchidas com apresentações de PowerPoint com informação demasiado detalhada, assim como pela concomitante substituição de professores qualificados por investigadores lucrativos. Deveria tornar-se evidente que ensinar NÃO é o mesmo que aprender. Em quase todas as universidades dos EUA, a maior parte dos alunos são ensinados por membros da faculdade que tiveram pouca formação formal em ensino. Não me surpreende então que sobrecarreguem as capacidades de processamento cognitivo do aluno quando se limitam a ler, ponto por ponto, apresentações de PowerPoint com demasiada informação. Quando isto acontece, a tecnologia está a impedir a aprendizagem. Espero ver isto a mudar.

A quantidade de recursos educacionais de fácil acesso aos estudantes disparou na última década. A informação já não tem de ser passada de professor para aluno em gerações sucessivas. Hoje em dia, os estudantes podem aceder ao PubMed ou Up-to-Date para obter informação dos entendidos da matéria e ver os dados agregados de meta-análises relevantes. Daí que, nos próximos 10 anos, o papel do professor tenha de mudar. Já não poderão focar-se apenas em fornecer conhecimento e esperar que os alunos aprendam num ambiente de aprendizagem passivo-recetivo.

Pelo contrário, espero ver uma mudança que leve os professores a agir como guia cognitivo e ajudar os seus alunos a navegar, e a aprender a usar a riqueza de informação disponível. Acredito que brevemente veremos o modelo da "sala de aula invertida" por todo o mundo, onde o aluno aprenderá o básico em casa e ao seu próprio ritmo. Na escola, e com a ajuda dum orientador da faculdade, os alunos aprenderão a aplicar o seu conhecimento e compreender a sua relevância e significado. É assim que eu vejo os alunos daqui a 10 anos. 

Além disso, espero ver um grande afastamento da memorização rotineira e uma aproximação da avaliação baseada em competências. Espero ver a individualização do processo de aprendizagem em oposição ao modelo de "tamanho único". Espero ver a internet educacional a florescer e permitir que os professores também colaborem, de forma a criar material educacional com a maior qualidade possível, disponível para partilhar com os seus alunos.

 

Porque haveria algum aluno de querer utilizar o Student?

A maior parte das razões já foram enumeradas na 3ª pergunta. Gostaria de acrescentar que quando se cria uma boa sebenta, interativa e com questionários, também se ajuda os colegas da turma. Esta abordagem colaborativa à aprendizagem irá ajudar-te a ti e aos teus pares. Aquilo que criares não será esquecido. É algo que pode ser utilizado e atualizado pelas próximas turmas durante muitos anos.

 

02
Mai
2012

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